Buraco aberto na rua 6 traz risco a famílias

Uma obra não-concluída teria começado o problema, dizem moradores

Daniela Arcanjo
Mara Carvalho
Matteus Corti

No ano de 2012, a empresa DEMOP foi contratada pela prefeitura para iniciar as obras de saneamento básico no Jardim Nicéia. Segundo os moradores, durante esse processo foi aberto um buraco na rua 6, mas o obra ficou inacabada. A abertura expandiu e colocou em risco de desabamento a casa de uma moradora, além de ter se tornado um local inadequado para o descarte do lixo.

As obras foram iniciadas para dar continuidade às galerias pluviais do restante do bairro, porém, ao chegar na rua 6, o processo foi interrompido. “A rua aqui está sem terminar. Como que vai escorrer água da rua na boca de lobo ali? Não tem como”, afirma Maria Aparecida Oliveira Souza, moradora da rua 6.

Segundo o Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, as obras foram concluídas de acordo com o planejamento. A dificuldade para dar continuidade à obra seria devido à irregularidade dos terrenos. “Para concluir aquela obra a Prefeitura tem que entrar com a desapropriação daquela área, que está sendo discutida na Justiça. O que for parte dos moradores, a intenção é regularizar e depois fazer um sistema de galeria, mas por enquanto aquela área não pertence à Prefeitura”, explica o secretário.

Casa de Xeila corre risco de desabamento devido ao buraco. Foto: Daniela Arcanjo e Matteus Corti/VozdoNicéia

Casa de Xeila corre risco de desabamento devido ao buraco.
Foto: Daniela Arcanjo e Matteus Corti/VozdoNicéia

Natasha Lamônica, arquiteta e urbanista da Secretaria de Planejamento, explica que “o Jardim Nicéia tem um histórico muito diferente de todas as regulamentações fundiárias que a gente tem na cidade.” Segundo ela, há um processo judicial pela rua 6, que ainda não foi concluído. Por esse motivo, a Prefeitura não tem como demarcar a área e torná-la pública, o que impede a continuidade da obra.

Enquanto esse problema não sai da justiça, a moradora Xeila Cristina Ramos da Silva corre o risco de perder sua casa. Ela mora próximo ao buraco e a erosão aumenta a vala cada dia mais. “Disseram que iam virar para subir a rua, por isso eles estavam alargando ali, mas que logo que terminassem, fechariam o buraco, mas está aí até hoje”, completa. A dona de casa reafirma que, quando chegou ao bairro sete anos atrás, não havia aquele buraco.

Xeila conta que já lhe ofereceram apartamentos de programas sociais. “Por mais que seja uma casa de madeira, daqui eu não tenho como sair agora. É a minha casa. Como eu vou morar em um apartamento com cinco crianças?”, contesta. O problema do lixo também é apontado como uma preocupação da moradora: “Até eu jogo lixo ali para ver se tampa um pouco do buraco, mas eu morro de medo dos meus filhos caírem ali dentro, porque tem entulho e pedaços de concreto”.

O secretário de planejamento, Paulo Roberto Ferrari, afirma não ter conhecimento de nenhum projeto de encanamento na Rua 6. O secretário de obras também não apontou uma data para o início das obras e nega a existência da casa quando o buraco foi aberto. Ainda segundo Sidnei, não há orçamento para concluir as galerias nesse momento e dar à Rua 6 saneamentos básico. Como providência imediata, ele se comprometeu a fazer um laudo para encaminhar ao Setor Social, que poderá determinar medidas em prol das famílias em risco.

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