Distância do ponto de ônibus dificulta a vida dos moradores

Emdurb afirma que mudança deve-se à insegurança e dificuldade de manobra

Arthur Finati
Giovanna Hespanhol
Guilherme Sette
Laura Botosso
Matteus Corti

Pegar ônibus no Jardim Nicéia não tem sido fácil. O ponto, que antes era na rua da creche, agora se localiza há duas quadras da Rodovia Marechal Rondon. Enquanto o ponto de um lado da rua apresenta cobertura e assento, do outro há apenas uma estaca de madeira.

Muitos moradores não sabem os motivos da mudança do ponto. Para Ernesto Lene da Silva, a maior dificuldade é para pessoas com problemas físicos. “O ônibus podia circular aqui, dar a volta na praça e voltar”, sugere. Segundo Nete Oliveira, cozinheira da creche, as complicações são diversas. Ela observa que o ponto é longe e que, às vezes, os moradores têm que correr para pegar o ônibus. Por outro lado, Nete acredita que o ponto na frente da creche era perigoso para as crianças.

O ponto de ônibus é isolado do centro do bairro e não protege os moradores contra chuva e vento. Foto: Giovanna Hespanhol/VozdoNicéia

O ponto de ônibus é isolado do centro do bairro e não protege os moradores contra chuva e vento.
Foto: Giovanna Hespanhol/VozdoNicéia

João Felipe Lança, arquiteto e gerente de transporte coletivo da Emdurb, afirma que a mudança foi decorrente de um acordo com os moradores. Segundo ele, a alteração ocorreu devido a uma manobra que o ônibus precisava fazer para completar seu trajeto, na rua onde ficava o ponto. “[O ônibus] parava no ponto, entrava de frente, na [rua da] creche, voltava de ré e manobrava pra subir de novo na mesma rua”, explica Lança.

Ainda de acordo com o arquiteto, a distância entre o antigo ponto e o atual é de poucos metros. “Todo mundo concordou que é um risco desnecessário, comparado à necessidade de andar 200 metros a mais”, comenta Lança. Entretanto, Joana Miguel da Silva, ex-líder da Associação de Moradores do Bairro afirma que não houve esse acordo. Segundo Joana, quando ela foi procurada pelos representes da Emdurb, a mudança do local do ponto já havia ocorrido.

Joana afirma ainda que havia feito um protocolo pedindo a mudança do ponto para outro local: “eu pedi para que o ônibus fosse prolongado até a praça, porque já iria abranger o bairro inteiro”. De acordo com Lança, a largura das ruas não permite que os ônibus circulem pelo bairro. Além disso, há cruzamentos em que as casas são deslocadas. Desse modo, durante o percurso do ônibus, o motorista poderia perder o controle e bater.

Cada ônibus tem um aparelho que registra as ruas em que o motorista passou e, por isso, nenhum ponto pode ficar de fora. Foto: Giovanna Hespanhol/VozdoNicéia

Cada ônibus tem um aparelho que registra as ruas em que o motorista passou e, por isso, nenhum ponto pode ficar de fora.
Foto: Giovanna Hespanhol/VozdoNicéia

Além da distância entre o ponto e as outras áreas do bairro, a falta de opções das linhas que circulam nas proximidades também é um problema. O “Unip/Makro – Centro” é o único que passa na região do Jardim Nicéia. Para chegar ao posto de saúde, por exemplo, os moradores precisam pegar mais de uma linha, caso o trajeto seja feito somente de ônibus. Claudirene Ribeiro de Souza cita a Rodoviária como um dos locais em que os moradores têm dificuldade para chegar.

A linha de ônibus que passa pelo Jardim Nicéia é administrada pela empresa “Grande Bauru”. O coordenador do centro de operações, Rinaldo Polo Bonicontro, afirma que a empresa não interfere nas mudanças dos pontos, apenas executa o que a Emdurb e Ordem de Serviço e Operação (OSO) estabelece.

Joana comenta que, durante a conversa com os funcionários da Emdurb, um deles afirmou que existe um projeto de linha que englobaria o Jardim Niceia, mas que depende do asfaltamento da rua 1. “A linha sairia da Unesp, passaria pelo bairro e iria até a avenida Nossa Senhora de Fátima” comenta. Segundo João Felipe Lança, a Emdurb está estudando esse projeto. “Foi notado nas pesquisas que a gente fez do plano de transporte, que existe essa demanda hoje: toda a região do Geisel, do hospital, na Unesp, indo até a zona sul da cidade”, explica. No entanto, ele diz que, para esse projeto concretizar-se, a empresa precisa da Secretaria de Obras do Município. “A gente está esperando a Secretaria de Obras pavimentar a rua lateral (do quadrado do Niceia), que faz um ‘L’.  Então, o ônibus pegaria o atalho da Unesp, faria esse ‘L’ e sairia na marginal”, completa o arquiteto.

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