Dona Nair

Giovani Vieira

Crédito: Giovani Vieira

Crédito: Giovani Vieira

Um radinho e uma cadeira de descanso no canto de casa. Esse é o cenário em que a equipe do “Voz do Nicéia” encontra Dona Nair Martins da Silva, moradora da Rua 4 conhecida no bairro por ter sido a primeira a chegar ao Jardim Nicéia. Com o andar e a voz marcados pelo tempo, Dona Nair não esconde seus 76 anos e conta com riqueza de detalhes os bons momentos que viveu no passado. O ano exato ela não lembra, mas cita 1983 como sendo aquele em que ela saiu da pequena comunidade de Campo Novo para chegar ao  terreno que mais tarde ganharia o nome de Jardim Nicéia. “Eu e meu falecido marido saímos de lá após perdemos parte da plantação por causa de uma forte geada. Viemos fazer um barraco na parte de baixo do Nicéia”, lembra a moradora. “Sabe o que encontramos aqui?”, ela pergunta. “Mato e mais mato, mais nada. A gente bebia água de um poço e, como não tinha energia elétrica, nossas noites eram iluminadas pela lamparina”, revela.

Dona Nair interrompe a entrevista para aumentar o volume do seu radinho sintonizado em uma emissora evangélica. Faz um momento de oração e retorna dizendo que ela e o marido ganhavam dinheiro plantando mandioca, vegetais e legumes naquele espaço onde hoje só se vê casas. “Já chegamos a vender uma raiz de mandioca de sete metros. E não é conta de mentiroso”, faz questão de enfatizar. Ela e sua família também foram os primeiros moradores do Núcleo Residencial Geisel. “Ficamos sete anos no Nicéia, fomos para o Geisel, depois para o Campo Novo e a família toda veio de volta para o Nicéia e aqui estou até hoje“, conta com boas lembranças nos olhos.

Amarildo – o mais velho -, Almir, Paulo e Marcio – o caçula: quatro filhos que Dona Nair viu crescer nas terras do Nicéia. No dia da visita da equipe de reportagem, véspera do Dia dos Mães, Dona Nair trazia nos traços do rosto o sentimento de alegria. Como presente, ela viu nascer a pequena Ana Carolina, sua primeira bisneta. “Minha família viu o Nicéia crescer. Foi aqui que meus filhos cresceram, casaram, me deram netos e agora uma bisneta”, conta a bisavó coruja, ansiosa por ver a nova integrante da família.

Dona Nair termina a conversa com a equipe demonstrando esperança por ver o bairro em situação cada vez melhor. “Deixamos de ser chamados de favelados para chegarmos a um bairro que tem tudo para ser a melhor casa para todos nós. Espero que eu ainda veja esse Nicéia”, se despede.

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