Galerias inacabadas atrasam pavimentação do bairro

Moradores aguardam asfaltamento,impedido pelas
obras paradas desde dezembro do ano passado

Sem as obras das galerias prontas, bairro não pode ser asfaltado. Sem asfalto, os postes não podem ser trocados e, com a fiação baixa, o caminhão de lixo não tem acesso a todo o bairro. Foto: João Paulo Monteiro

Beatriz Haga
Giovani Vieira

Nuvens de poeira em dias de sol e lama invadindo residências em dias de chuva. A rotina de problemas faz parte do dia-dia dos moradores do Jardim Nicéia. Enquanto a pavimentação não chega, a paisagem do bairro se mistura aos buracos nas ruas, tubulação exposta de uma obra inacabada e pegadas deixadas no chão de terra pelos moradores.

“Caminhão, carro, táxi, nada consegue passar aqui quando chove, não tem condições. Não vêm ambulância, o ônibus não passa, não conseguem chegar aqui”, contesta Sizino Francisco Brandão de 72 anos. O aposentado também revela que a qualidade de vida no bairro seria melhor se o asfalto acontecesse. “O Nicéia é um lugar muito bom para se morar, mas poderia ser melhor se algumas obras fossem feitas para melhorar a vida das famílias do bairro. São coisas simples, mas que terminam em promessas”, aponta.

Nem mesmo as ruas por onde passa o ônibus escapam dos buracos

Adelma Prates de Souza conta que desde que se mudou para o bairro já diziam que ele seria asfaltado e também aponta um problema comum às demais donas de casa: “você precisa limpar a casa várias vezes por dia, tirar a poeira dos móveis. Faz tempo que ouço falar que vão asfaltar as ruas, espero que aconteça logo. Que venha o asfalto!”.

Para entender o caso da pavimentação das ruas do Jardim Nicéia é preciso voltar um pouco no tempo. Há aproximadamente dois anos, a Prefeitura de Bauru, em parceria com a Secretaria de Obras, autorizou a abertura de licitação para a execução de 513 novas quadras de asfalto em 36 bairros divididos em três lotes de obras. Em seu primeiro ano de mandato, o prefeito Rodrigo Agostinho anunciou o maior plano de pavimentação na cidade das últimas décadas. As obras incluíam a execução de guias e sarjetas, além da asfaltização, totalizando um investimento superior a R$ 16 milhões.

Pavimentação do bairro ainda está longe de acontecer. Foto: João Paulo Monteiro

O Jardim Nicéia foi um dos bairros contemplados no Plano de Pavimentação. Segundo Joana Miguel, presidente da Associação de Moradores, foram anunciados R$ 400 mil para os investimentos em infra-estrutura. Para o bairro, estava previsto o asfaltamento de 12 quadras padrão: rua Valdemar Ferreira dos Santos, quadras de 1 a 5, quadra 2 da rua Lucilia Alpino, quadras 1 e 2 da Rua Manoel Hermano, 3 quadras da ligação com a Avenida Antenor de Almeida e 2 quadras da mesma avenida.

O início das obras no Nicéia foi barrado pela falta de instalações básicas necessárias da maior parte das ruas de terra. Problemas como a ausência de galerias de águas de chuva, alinhamento das ruas, calçadas invadidas por construções irregulares, postes instalados desordenadamente, desníveis de terreno, entre outros, inverteram o planejamento feito anteriormente pela Prefeitura e Secretaria.

Para evitar complicações, a Secretaria de Obras iniciou em 2010, por meio da Divisão de Drenagem, a implantação de galerias. Segundo a Secretaria, foi construída uma caixa de captação na entrada do bairro para escoar a água da chuva para o Córrego da Vargem Limpa.

Centro do bairro transformou-se em um canteiro de obras com galerias abertas. Foto: Giovani Vieira

Na edição abril/maio do “Voz do Niceia”, a matéria “Obras continuam paradas” fez um panorama da situação. A explicação da Prefeitura para o atraso continua a mesma. O engenheiro da Secretaria de Obras, Delmar Baptista dos Santos, reafirma que as obras serão retomadas quando houver a desocupação da área, entre as Ruas 4 e 5, onde as galerias passam. “Já nos foi dito que primeiro precisamos resolver o problema do morador que construiu a sua casa no caminho das obras para que elas tenham continuidade. Enquanto isso, nós convivemos com água mal cheirosa parada na obra junto com a poeira e os buracos. Corremos o risco de muitas doenças, sem contar os transtornos de uma construção sem fim no meio do bairro”, aponta Joana Miguel. A Presidente da Associação também comentou que tentativas de acordos para a desocupação da área foram feitas sem sucesso. A única certeza que os moradores podem ter no momento é que, enquanto as galerias não ficam prontas, a pavimentação está longe de começar.

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