Deizinete Maria Braz

Deizinete Maria Braz

Foto: Letícia Mendonça

“Nosso dever é defender o próximo, independente de quem ele seja”

Carolina Seiko
Cinthia Quadrado

Próxima à porta de entrada, a placa com os dizeres “Espaço Esperança” chama a atenção. Dois bancos e uma estante fazem o contorno da sala. As paredes de cor laranja, repletas de fotografas, guardam uma história de vida marcada por muita luta.

A moradora Deizinete Maria Braz, conhecida como Deise, vende coxinhas no Nicéia de porta em porta. Aprendeu a fazer o salgado com a ajuda da cunhada e até hoje vive da produção. Deise também recebe em sua casa grupos de crianças, jovens e mulheres para aconselhamentos e atividades educativas. A estante com livros, barbantes, instrumentos musicais e cobertores é o início de algo maior.

Deise está ampliando o fundo da sua casa para receber mais pessoas. Seu sonho é fazer um espaço de ação comunitária e ter um grupo de cidadania para dar assistência aos moradores do bairro. E com essa perspectiva diante do que falta aos moradores, Deise também fala sobre a ajuda da Igreja e de seus amigos. O auxílio voluntário de dentistas, psicólogos e médicos é essencial para que o projeto comunitário consiga suprir as primeiras necessidades das pessoas que não tem condições de pagar um tratamento.

Ao falar do presente, Deise esboça um largo sorriso, mas se emociona quando o assunto é o passado. A mineira de nascença se envolveu com drogas aos 13 anos de idade. Largou sua família, amigos, e morou por um tempo no Rio de Janeiro, Espírito Santo e em São Paulo. Quando completou 33 anos, foi para uma casa de reabilitação em Curitiba onde fez tratamento por nove meses. No local, Deise trabalhou como voluntária, ajudando
outros dependentes químicos a se recuperarem. Há 14 anos, ela veio para Bauru visitar seu irmão e por aqui fcou. Foi para o sertão nordestino como missionária em 2008 e retornou em 2010. Recuperada, Deise não esconde toda a sua trajetória e a usa como exemplo de superação. A firmeza em sua voz mostra o quão intensa é a vontade de ajudar as pessoas a sua volta. Hoje, ela considera que sua experiência “vale para dizer ao próximo que ele consegue”. O prazer de conversar com quem mora no Nicéia, além da perseverança nas constantes visitas às casas para a venda das coxinhas, são refexos das mudanças em sua vida. Em uma longa conversa, o principal assunto da moradora é a resolução dos problemas que se estendem no cotidiano de vizinhos e colegas. As cicatrizes em seu rosto são lembranças de uma experiência que fcou para trás. Agora, com 47 anos, Deise enxerga um futuro de realizações.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s