Como os moradores lidam com os condomínios?

O Jardim Nicéia começou com famílias vindas de outras cidades dos estados de São Paulo, Paraná e Pernambuco. Hoje, já com aproximadamente 40 anos, o bairro é vizinho de três condomínios fechados. A equipe do Voz do Nicéia foi às ruas e perguntou:

“Como é a relação dos moradores com os
condomínios que ficam nos arredores do bairro?”

João Paulo Monteiro

O bairro aqui é visto como sossegado. Em outros lugares, as pessoas invadem e roubam, mas aqui no bairro não. Antigamente aqui era pior, éramos vistos como favela. Há muitos bairros piores, onde “nego” rouba mesmo, mas aqui no Nicéia, se acontece um roubo, como acontece em todo lugar, a vila toda fica mal vista. Regivaldo da Silva, 37 anos, pedreiro. Foto: João Paulo Monteiro

 

“Todos veem aqui como favela. Só porque não temos casas boas nem asfalto, é favela. Se o prefeito contribuir com obras e infraestrutura, e o povo daqui do bairro colaborar, não jogando lixo nas ruas, por exemplo, ia mudar muita coisa. Mas existe, sim, um certo preconceito quanto a nós moradores aqui do bairro. Quem é de fora acha que aqui ainda é uma favela”. Maria de Lourdes, 32 anos, faxineira.

Aqui a relação é de respeito, nunca houve nenhum problema entre os moradores do condomínio e os do Nicéia. Até mesmo as crianças são “na delas” quando, por exemplo, cai uma pipa aqui dentro, eles pedem. Carlos dos Santos, 30 anos, porteiro da Chácara Odete.

O bairro aqui é bom, as pessoas são boas e não tem violência. O problema é que a gente é pobre e não temos casas boas, então chamam de favela. Mas, na verdade, é um lugar calmo, com muita paz. Aqui é nota 10. Faço de tudo para não sair daqui, se fosse ruim, já teria saído há muito tempo. Heraldo Monteiro, 50 anos, vigilante. Foto: João Paulo Monteiro

As pessoas do condomínio sentem receio e até mesmo medo. Falta instrução para os próprios moradores do Nicéia, porque eles próprios denigrem a imagem do bairro, já que um pequeno grupo de moradores vem aqui no condomínio, quebram o muro, ficam do lado de fora gritando e querendo entrar. Mesmo sendo um só grupo, e todo o resto do bairro são de pessoas boas, as atitudes deste pequeno grupo mancham a imagem do bairro inteiro e seus moradores. Ezequiel Pereira Goulart, 47 anos, porteiro do Residencial Sauípe.

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