Obras continuam paradas

Mesmo após período das chuvas, obras não tem prazo para recomeçar

Esgoto a céu aberto exala mau cheiro e traz riscos de doenças para a população. Foto: Letícia Mendonça

João Paulo Monteiro

É unânime que a maior dificuldade enfrentada pelos moradores do Jardim Nicéia, entre tantos outros problemas, é a obra das galerias de águas pluviais. “É o principal problema do bairro”, afirma Joana Miguel da Silva, líder comunitária.
As obras, paradas desde dezembro do ano passado, ainda não têm prazo para serem retomadas. Com uma estrutura precária, o esgoto da rede do DAE acabou invadindo as galerias de águas pluviais, causando mau cheiro; “o cheiro perto das bocas-de-lobo é horrível”, garante Joana.
O DAE, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que a divisão técnica da empresa foi ao local checar pelas irregularidades e não encontrou os problemas reclamados pelos moradores do bairro. Segundo a assessoria de imprensa, assentamentos irregulares de uma empresa particular, na quadra 16, rua Padre Francisco Van der Maas, foram diagnosticados, mas isso já está fora da área de atuação do DAE; “hoje, não tem nada em aberto para que o DAE resolva. Não foi encontrado nenhum problema além de manutenções corriqueiras”, informa o DAE.
As maiores críticas, porém, são destinadas à Secretaria de Obras; “não adianta nada começar uma obra que depois fica parada, só para politicamente dizer que estão fazendo alguma coisa. Não adianta nada”, reclama a líder comunitária Joana. A Secretaria de Obras de Bauru, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que as obras não foram retomadas devido à ocupação irregular de uma área destinada à construção da rede de tubos, entre as Ruas 4 e 5, cuja localização é exatamente o caminho natural das águas, no ponto mais baixo do terreno; “acordos estão sendo feitos entre a Secretaria de Planejamento, a líderança da comunidade e o ocupante da área, quando o terreno for desocupado, a execução da obra será retomada”.
O secretário de Administrações Regionais, Ricardo Oliveira, esteve no Jardim Nicéia, verificou o problema e garantiu empenho para a melhoria da estrutura do bairro; “vou manter contato com a Secretaria de Obras e, trabalhando juntos, vamos dar continuidade a essas obras”. O secretário está ciente do problema e da dificuldade da Secretaria de Obras: muitas obras foram iniciadas em diferentes pontos da cidade e agora várias delas estão paradas. Por essa razão, as reclamações, não só de moradores do Jardim Nicéia, são frequentes. “É função da SEAR proporcionar um relacionamento mais próximo entre lideranças comunitárias e os órgãos da prefeitura”, explica Ricardo Oliveira.

Com obras paradas, acúmulo de água preocupa por causa de dengue e da leishmaniose. Foto: João Paulo Monteiro

O que aconteceu

No terceiro trimestre do ano passado, foram iniciadas no Jardim Nicéia obras para instalação de galerias de drenagem de águas pluviais. Porém, durante o período de chuvas, o trabalho foi interrompido e até agora não foi retomado. A Secretaria de Obras afirma que uma área destinada às obras foi ocupada de forma irregular e, com isso, não pode concluir a galeria.

Poste de luz ameaça cair sobre casa devido à erosão causada pelas chuvas. Foto: João Paulo Monteiro

Outros problemas

Com as obras paradas, o acumulo de água é inevitável. Com isso, o medo de doenças causadas por água parada, como a dengue, aflige o bairro. Moradores do Jardim Nicéia reclamam da prefeitura, já que os agentes de saúde passam nas casas, cobram dos moradores o combate a possíveis focos do mosquito da dengue, mas não tomam uma atitude quanto ao acúmulo de água nas obras. “A Baurutrans joga água direto na galeria e ela fica acumulada nas obras paradas”, afirma Joana Miguel. A empresa de ônibus, porém, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que o destino da água depois que sai da empresa é responsabilidade do Poder Público, a quem compete a instalação e manutenção de rede de águas pluviais; “a empresa Grande Bauru destaca que a água que deixa suas instalações tem padrão normal, conforme certificado pelo laboratório credenciado Centerlab”. E completa: “a água em questão está de acordo com as normas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que as vistoria periodicamente. Não são utilizados produtos químicos no tratamento, não havendo, portanto, nenhum risco de contaminação. Manutenções periódicas também são realizadas na base por onde a água sai das instalações da empresa, para retirada de pedriscos, mato ou quaisquer detritos”.
Já para o senhor Heraldo Monteiro, a preocupação é ainda maior. O morador da Rua 4 convive com o constante medo da queda de um poste de energia sobre a sua casa. Com as constantes chuvas do começo do ano, a erosão aumentou o buraco deixado pela prefeitura no local das obras paradas.Com isso, durante as chuvas, “o poste pode cair a qualquer momento”, avisa o morador.

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